- Senge nomeou cinco disciplinas que formam a base das organizações que aprendem: domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada, aprendizagem em equipe e pensamento sistêmico.
- O domínio pessoal, aprofundar a visão pessoal e se comprometer com o próprio aprendizado ao longo da vida, é a pedra fundamental da organização que aprende, porque a capacidade de aprender de uma organização nunca é maior do que a dos integrantes dela.
- Os modelos mentais são os pressupostos arraigados, as generalizações e as imagens que determinam o comportamento, mesmo quando a pessoa não tem consciência deles.
- O pensamento sistêmico é a disciplina que integra e une as outras quatro, e sem uma orientação sistêmica não há motivação para analisar as interconexões entre elas.
Senge (2004) chamou o pensamento sistêmico de “a quinta disciplina”. As outras quatro elencadas por ele são:
- domínio pessoal
- modelos mentais
- visão compartilhada
- aprendizagem em equipe
Juntas, elas formam a base das organizações de aprendizagem. Segundo Senge, essas organizações são capazes de se expandir continuamente, de cultivar nas pessoas o comprometimento e a capacidade de aprender em todos os níveis. Ele defendeu a possibilidade de essas organizações considerarem todo ser humano um aprendiz, e de essas disciplinas sustentarem o crescimento delas.
O que é o domínio pessoal?
A primeira disciplina, o “domínio pessoal”, consiste em aprofundar a visão pessoal e se comprometer com o próprio aprendizado ao longo da vida. É considerada a pedra fundamental, o alicerce espiritual para a organização que aprende. A capacidade e a responsabilidade de uma organização aprender nunca podem ser maiores do que as dos integrantes dela, e ainda assim poucas empresas estimulam o crescimento das pessoas delas dessa forma. Essa disciplina esclarece para uma pessoa o que realmente é importante para ela; a origem dela vem de tradições ocidentais e orientais seculares. O indivíduo que desenvolve essa disciplina começa a viver a serviço das mais altas aspirações dele.
O que são modelos mentais?
A segunda disciplina é a dos “modelos mentais”. Reúne os pressupostos arraigados, as generalizações e as imagens que mais influenciam a forma de perceber e de agir no mundo. Os modelos mentais determinam os comportamentos, apesar de nem sempre o indivíduo ter consciência deles. A depender do quanto uma pessoa está envolvida pelo modelo mental dela, e do quanto ele é fortemente presente e rígido, ela pode ter grandes dificuldades para absorver novas ideias e implementar novos modelos de negócios, por entrarem em conflito com poderosos modelos mentais implícitos. O trabalho com os modelos mentais começa com a busca do autoconhecimento: resgatar imagens internas antigas e mantê-las na consciência.
Visão compartilhada: mobilizar o comprometimento genuíno
A terceira disciplina é ter uma “visão compartilhada”, para mobilizar o trabalho de todos em prol de um objetivo comum: uma imagem compartilhada do futuro que se pretende criar, que estimule o comprometimento genuíno e o envolvimento, em vez da mera aceitação ou obrigação de fazer algo. Os líderes que desenvolvem essa disciplina aprendem o quanto é contraproducente impor ideias e visões aos colaboradores deles, por mais bem-intencionados que estejam.
Aprendizagem em equipe: o motor coletivo do crescimento
A quarta disciplina é a chamada “aprendizagem em equipe”, que visa incentivar o trabalho em conjunto. Equipes produzem resultados extraordinários quando estão em genuíno processo de aprendizagem juntas. Numa cultura que desde sempre incentivou o desempenho individual em detrimento do trabalho em equipe, é preciso investir na mudança de mentalidade e em ações práticas: não somente reconhecer o desempenho individual, mas também o trabalho realizado em conjunto.
Os líderes devem estimular a cooperação entre os membros, amenizar a competição existente na equipe, criar um clima que favoreça o desenvolvimento e a aprendizagem em grupo, incentivar o diálogo e trabalhar as resistências e os mecanismos de defesa que possam boicotar o envolvimento e a interação. A aprendizagem em equipe é essencial para as organizações modernas e vital para o alcance de melhores resultados e para a satisfação das pessoas. São as equipes, e não os indivíduos isolados, que podem acelerar o crescimento da organização. Esse ponto é crucial: se as equipes não conseguirem aprender, a organização também não vai conseguir.
Por que o pensamento sistêmico é a disciplina integradora?
A quinta e última disciplina é denominada “pensamento sistêmico”. É a que integra e une todas as demais, que precisam ser desenvolvidas em conjunto. Se não há uma orientação sistêmica, não há motivação para uma análise das interconexões e relações entre todas as demais disciplinas. O pensamento sistêmico alerta para a necessidade de compreender que a soma das partes pode exceder o todo.
A nova visão da liderança nas organizações que aprendem deve estar orientada principalmente para o desenvolvimento das pessoas, para que expandam as capacidades delas e aprendam a fazer leituras do cenário atual do mundo dos negócios, a fim de entender melhor as complexidades dele. O momento de complexidade implica necessidade de maturidade psicológica, alcançada pelo único meio que existe, a educação da própria espiritualidade, lato sensu, como afirma Aguiar (2009), exortando a um espírito de propósito: “[...] uma causa maior, à intemporalidade do gênero humano, a Deus, ao Amor — como se queira denominar o próprio ideal [...] que confira razão para viver e aponte uma direção, e um sentido humanístico.”
A resposta curta
O pensamento sistêmico é o que transforma quatro práticas separadas numa organização que aprende. Domínio pessoal, modelos mentais, visão compartilhada e aprendizagem em equipe desenvolvem, cada um, uma capacidade diferente, mas só uma orientação sistêmica dá à organização a motivação para analisar as interconexões e relações entre eles. A exigência prática disso sobre a liderança é focar principalmente no desenvolvimento das pessoas, para que expandam as capacidades delas e leiam as complexidades do cenário atual dos negócios.
Referências: Benjamin Teixeira de Aguiar, saltoquantico.com.br; Peter Senge, A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende.