CRISTIANE BARRETO'sBUSINESS & CAREER INSTITUTE
Cultura organizacional

Novos Padrões de Consciência Humana e Organizacional

Cristiane Barreto, PhD

Cultura organizacional

Atualizado em

Toda organização é formada por pessoas, e todas elas são compostas de um lado agradável, aceito por familiares, amigos, educadores, líderes, sociedade e instituições que ajudaram a formar a personalidade delas. As pessoas usam esse lado aprovado, bem visto e valorizado no cotidiano e na organização onde trabalham.
Em resumo
  • Toda pessoa carrega um lado aceito, formado por família, educadores e sociedade, e também um eu oculto, conhecido na psicologia como sombra pessoal.
  • A cultura da organização vai moldando e formando a sombra ao determinar o que pode e o que não pode ser expresso, de modo que os comportamentos reprovados pelos líderes se acumulam na sombra do indivíduo e do coletivo.
  • A sombra guarda não apenas traços indesejáveis de caráter, mas também dons e talentos não reconhecidos, além de criatividade, motivação, força e sentido.
  • Uma organização incapaz de explorar o conhecimento da própria sombra e trazê-lo à luz da consciência está destinada a se desviar paulatinamente dos objetivos dela.

Por outro lado, esses mesmos indivíduos possuem um lado, ou um eu oculto, conhecido na psicologia como a sombra pessoal: tudo aquilo que foi recalcado no inconsciente, reprimido, considerado inaceitável, escondido por medo da rejeição, de perder o afeto, de criar mal-estar, de ser repreendido e julgado, muitas vezes pelas pessoas que desempenharam, ou ainda desempenham, um papel determinante na existência desse indivíduo.

Nas organizações não poderia funcionar de forma diferente. As permissões ou proibições de alguns comportamentos vão cedendo espaço a um eu mais apropriado às conveniências do ambiente. Comportamentos aprovados e valorizados pelos líderes são facilmente encontrados e reforçados, ao passo que tudo aquilo que esses líderes reprovam, inibem e rejeitam no grupo de trabalho fica enterrado na sombra individual e do coletivo que formam. O mesmo acontece com qualidades, dons e talentos não valorizados nem aprovados naquela cultura organizacional.

O que existe na sombra?

Como escreve Benjamin Teixeira de Aguiar, pelo Espírito Eugênia-Aspásia: “A sombra é parte da alma humana, que constitui os elementos desconhecidos de si e contém, portanto, todo o potencial de divindade que foi negado ao indivíduo ou que ainda não pode ser desdobrado, num nível consciente. Assim, não existem, na sombra, apenas os traços indesejáveis de caráter e personalidade, mas também os aspectos numinosos, as formas transcendentes de ser, agir e sentir. Destarte, como muito bem anunciou Jung, a criatividade e a motivação, a vida e a alegria, a força e o sentido para viver residem na sombra. Eis por que Jesus recomendou que amássemos nosso inimigo (e o inimigo maior, o adversário axial, é a própria sombra, o lado escuro de si) e não julgássemos, porque seríamos medidos com a mesma medida com que medíssemos os outros.”

Muitos aspectos sombrios só podem ser descobertos quando há conflitos e confrontos desagradáveis e constrangedores entre as pessoas, geralmente de uma forma hostil, irônica e desarmoniosa, pois trazem uma carga emocional intensa diante do despreparo daquelas pessoas e da cultura para tratar de questões que até então foram reprimidas e escamoteadas.

Quanto custa uma sombra organizacional não examinada?

A cultura da organização vai moldando e formando a sombra, determinando o que pode e o que não pode ser expresso. Os sentimentos, comportamentos e atitudes rejeitados pela organização ficam na sombra, contribuindo para o poder oculto do lado escuro dela. De uma forma geral, esse conteúdo sombrio pode ser considerado um território desconhecido, indomado e inexplorado, tanto no nível pessoal quanto no grupal e no organizacional.

Quando se inicia um processo de descortinamento desse lado, pode não ser fácil nem confortável, mas é possível que haja melhoria em várias dimensões organizacionais, principalmente no despertar de talentos adormecidos, que podem servir como canais de solução de problemas.

Uma organização que seja incapaz de explorar o conhecimento da sombra dela, para trazê-la à luz da consciência, estará destinada a se desviar paulatinamente dos objetivos dela. E, provavelmente, a médio e longo prazo, se não estiver atenta, se tornará e só conseguirá promover aquilo que mais deseja evitar.

Rumo a um novo plano de consciência

Uma pesquisa informal citada por Ziemer mostrou que “[...] em tempos de crise, 80% do tempo e da energia dos gerentes são consumidos em lidar com a irracionalidade das empresas, que tem origem, em grande parte, na sombra da organização, naquilo que não pode ser discutido nem modificado. Em tempos normais, essa porcentagem cai para 50%.”

O estudo da sombra na organização pode ser de grande valia para o resgate de potenciais inexplorados, dons e talentos desconhecidos, impulsos para o bem e inspirações criativas, tanto pessoais quanto organizacionais. Contribui para a comunicação, para a solução de conflitos, para a gestão de forma geral e para a vida das pessoas, e consequentemente alcança toda a sociedade, rumo a um novo padrão e plano de consciência.

A resposta curta

Uma organização herda a sombra das pessoas que a formam e acrescenta a própria: tudo aquilo que os líderes dela reprovam, inibem ou simplesmente deixam de reconhecer fica enterrado na sombra do indivíduo e do coletivo. O custo não é apenas os traços indesejáveis que se acumulam ali, mas os talentos adormecidos, a criatividade e os impulsos para o bem que ficam enterrados junto. Trazer esse conteúdo à luz da consciência é desconfortável, mas é o que impede uma organização de se tornar, aos poucos, exatamente aquilo que mais deseja evitar.

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