CRISTIANE BARRETO'sBUSINESS & CAREER INSTITUTE
Cultura organizacional

Reflexões Organizacionais

Cristiane Barreto, PhD

Cultura organizacional

Atualizado em

A qualidade da nossa vida pode ser enriquecida por relações afetuosas e generosas, ou empobrecida por aquelas que são cruéis e frias. A felicidade no trabalho é uma responsabilidade individual e coletiva, assim como a produtividade, os resultados e o crescimento como um todo.
Em resumo
  • A qualidade de uma vida pode ser enriquecida por relações afetuosas e generosas e empobrecida pelas cruéis e frias, dentro e fora do ambiente de trabalho.
  • A felicidade no trabalho é uma responsabilidade individual e coletiva, assim como a produtividade, os resultados e o crescimento como um todo.
  • Um fator crítico para a gestão organizacional bem-sucedida reside na capacidade da organização de promover a aprendizagem contínua em todos os níveis funcionais.
  • Todos, numa organização, são coparticipantes do sucesso ou do fracasso dela, e não existe problema de um: o problema é de todos.

A qualidade da nossa vida pode ser enriquecida por relações afetuosas e generosas, da mesma forma que pode ser empobrecida por aquelas que são cruéis e frias, dentro e fora do ambiente de trabalho. São as pessoas que circulam diariamente no trabalho, em casa, na rua, em qualquer lugar e a qualquer tempo, que podem causar felicidade ou infelicidade umas às outras. A felicidade no trabalho é uma responsabilidade individual e coletiva, assim como a produtividade, os resultados e o crescimento como um todo.

Como a educação alcança a vida no trabalho?

A educação nas escolas e nas universidades se estende e influencia a vida no trabalho, as organizações e a forma de interação entre as pessoas. Se elas viveram sistemas mais competitivos com os colegas de estudo, possivelmente desenvolverão esse perfil de comportamento nas relações de trabalho. Como escreveu Morin (2004, p. 11): “Uma educação só pode ser viável se for uma educação integral do ser humano. Uma educação que se dirige à totalidade aberta do ser humano e não apenas a um de seus componentes.”

De quem é a responsabilidade pelos resultados da organização?

Um fator crítico para a gestão organizacional bem-sucedida reside na capacidade da organização de promover um processo de aprendizagem contínua em todos os níveis funcionais. Atualmente, entende-se que todos os líderes e colaboradores devem assumir juntos a responsabilidade pelo desempenho humano e organizacional. Portanto, a gestão deve ser compartilhada, e isso exige melhoria nos relacionamentos interpessoais entre todos que compõem uma empresa, em todas as hierarquias.

Como esclarece Aguiar (2014): “Todos somos responsáveis pelo que acontece num grupo, em nossas vidas, e é muito comum não entendermos essa responsabilidade — como em direito se chama ‘responsabilidade solidária’, cada pessoa é responsável inteiramente pelo que acontece. Qualquer um de nós deve se levantar e tomar a iniciativa (...). Todos têm que se sentir responsabilizados individualmente.” Numa organização não é diferente: todos são coparticipantes do sucesso ou do fracasso. Na verdade, não existe problema de um, mas de todos. Enquanto se empurram as responsabilidades para outrem ou para outro departamento, perde-se tempo e energia em vez de buscar soluções.

O que o desenvolvimento do capital intelectual exige?

Essa aprendizagem visa ao desenvolvimento do capital intelectual organizacional, que requer das pessoas a contínua expansão das capacidades e habilidades de entender sistemas complexos, esclarecer visões e aperfeiçoar modelos mentais compartilhados. Requer compreensão mútua, abertura para a discussão e uma genuína vontade de que todos acertem nas atividades cotidianas deles.

As empresas devem se engajar em promover melhorias contínuas e ter líderes com essa nova visão, com o modelo de cultura do aprendizado. Comprometidos com a aprendizagem, eles poderão disseminá-la por todos os âmbitos da organização: promovendo a integração, estimulando o desenvolvimento intrapessoal e interpessoal e deixando claro o quanto todos dependem uns dos outros para galgar maiores patamares de excelência.

O ser humano integral no centro

O desempenho das pessoas está diretamente relacionado à convivência delas com os demais que fazem parte da organização e também com aqueles que não fazem parte diretamente, pois todos estão interligados na teia da vida. Verifica-se o impacto cada vez maior das questões pessoais no trabalho, e o antigo ditado de que não se deve misturar vida pessoal com vida profissional passa a não ter mais sentido, pois a visão do ser humano integral ocupa progressivamente um lugar de destaque na ciência.

O comportamento atual dos indivíduos e as percepções de mundo deles podem ser entendidos a partir das raízes da física, que, assim como toda a ciência ocidental, podem ser verificadas no período inicial da filosofia grega, numa cultura em que a ciência, a filosofia e a religião não se encontravam separadas. As organizações precisam ser vistas como organismos vivos, como sistemas vivos que dão forma a si mesmos e se transformam.

A resposta curta

O desempenho numa organização é inseparável da qualidade das relações dentro dela, e é por isso que a felicidade no trabalho é responsabilidade coletiva, e não privada. A gestão deve ser compartilhada, porque todos os líderes e colaboradores assumem juntos a responsabilidade pelo desempenho humano e organizacional, e empurrar a responsabilidade para outras pessoas ou departamentos só consome o tempo e a energia que as soluções exigem. O que torna isso possível é uma cultura de aprendizado, em que as pessoas seguem ampliando a capacidade de entender sistemas complexos, esclarecer visões e aperfeiçoar modelos mentais compartilhados.

Referências: Benjamin Teixeira de Aguiar, saltoquantico.com.br. Morin, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 9. ed. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2004.

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