- Contingência significa uma eventualidade, e tudo o que é contingencial é efêmero e evanescente, de modo que a única coisa que permanece é a mudança.
- A Teoria Contingencial sustenta que não há formas universalmente melhores de organizar, porque tudo depende do tipo de tarefa e do ambiente em que ela está inserida.
- As organizações prósperas são aquelas capazes de se adaptar e se ajustar continuamente às demandas do ambiente, com mais desenvoltura e aproveitamento das oportunidades.
- Quanto mais sucesso uma organização faz, mais ela é copiada, e isso, por sua vez, aumenta a vulnerabilidade dela no mercado.
O que contingência significa de fato?
Contingência significa uma eventualidade, a possibilidade de alguma coisa acontecer ou não. Tudo o que é contingencial é efêmero e evanescente; a única coisa que permanece é a mudança. Toda entidade que estiver em desenvolvimento, que necessitar de melhoria, revisão constante e mudança para se ajustar ao ambiente externo, segue a abordagem contingencial, que se configura como uma abordagem situacional.
Diante de um cenário de imprevisibilidade e instabilidade, a ênfase no ambiente tornou o enfoque da teoria administrativa predominantemente extrovertido, quer dizer, voltado mais para fora do que para dentro da instituição. Dessa forma, flexibilidade, adaptabilidade, inovação, revitalização e melhoria contínua passaram a ser palavras de ordem nas organizações que buscam o ajuste e o acompanhamento do mercado a fim de alcançar sobrevivência, crescimento e sucesso.
Por que as organizações são sistemas abertos?
O entendimento de uma organização teve início a partir do entendimento desse novo momento organizacional. Para compreender melhor uma instituição, é necessária uma análise do contexto ambiental em que ela está inserida. A Teoria Contingencial deu enfoque à condição de que “tudo é relativo” e “tudo depende”, e de que existem fatores contingenciais exercendo influência, como o ambiente e o tamanho da instituição. As organizações são sistemas abertos, e não há formas melhores de organizar do que outras: tudo depende do tipo de tarefa e do ambiente em que ela está inserida, de modo que enfoques diferentes devem ser usados para desempenhar tarefas distintas.
Numa outra perspectiva, a Teoria da Contingência foi vista não como uma teoria em sentido estrito, pois teria incorporado os pressupostos da teoria dos sistemas sobre a interdependência e a natureza orgânica da organização, de caráter aberto e adaptativo, para que se preserve a flexibilidade diante das frequentes mudanças do ambiente. As organizações prósperas passam a ser percebidas como aquelas capazes de se adaptar e se ajustar continuamente às demandas do ambiente, com mais desenvoltura, agilidade e aproveitamento das oportunidades. As empresas bem-sucedidas passam a ser aquelas que conseguem se ajustar a pressões, coações e contingências do ambiente.
Por que o sucesso aumenta a vulnerabilidade?
As organizações, pessoas, serviços e produtos que não estiverem plugados nessas transformações ficarão rapidamente obsoletos. A demanda constante de ajustes, inovações e reinvenções chega com força total neste momento dos negócios, exigindo uma reconfiguração contínua. Quanto mais sucesso as organizações fazem, mais são copiadas, o que aumenta a vulnerabilidade delas no mercado.
Portanto, todo líder e toda organização precisam estar abertos e receptivos às mortes simbólicas, que indicam mudança de ciclo, renovação e renascimento para novos patamares de maturidade, crescimento e desempenho. A vulnerabilidade não é uma fraqueza a ser eliminada: é um convite a evoluir.
A resposta curta
Uma organização é vulnerável porque é um sistema aberto: a sobrevivência dela depende de um ambiente externo que muda o tempo todo, e não existe forma universalmente melhor de organizar diante disso. O sucesso não resolve a exposição: aprofunda-a, já que quanto mais bem-sucedida a organização, mais ela é copiada. A resposta é permanecer aberta às mortes simbólicas, que indicam mudança de ciclo, e tratar a vulnerabilidade não como fraqueza a ser eliminada, mas como convite a evoluir.
Referências: Lacombe, Francisco; Heilborn, Gilberto. Administração. São Paulo: Saraiva, 2003. Morgan, Gareth. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996.