- A anima, nome dado por Carl Gustav Jung ao lado feminino, está presente em todo ser humano, e não exclusiva ou necessariamente na mulher.
- As mulheres nas organizações ainda sofrem preconceito quanto à forma de liderar justamente por expressarem características muito femininas: intuição, percepção aguçada, sensibilidade, concentração e capacidade de realizar várias atividades ao mesmo tempo.
- Como a gestão e a liderança carregam referências masculinas dominantes, muitas mulheres passaram a reproduzir atitudes mais masculinas no trabalho, das vestimentas ao modo de decidir, para serem aceitas.
- Organizações que premiam apenas assertividade, controle, velocidade e competição terão desempenho consistentemente inferior ao das que criam condições para toda a gama de capacidades humanas aparecer.
Quando falamos em liderança, é comum lembrarmos de imagens masculinas. Será preconceito ou o resultado de muitos anos da presença dos homens em cargos de alta hierarquia? Um ditado antigo resume o paradoxo: “por trás de um grande homem existe sempre uma grande mulher”.
Apesar de tantos atributos positivos, a mulher ainda não é tão valorizada nas organizações quanto poderia. Pesquisas mostram que, em muitos contextos, a remuneração dela é menor do que a dos homens com o mesmo nível de atuação. Além disso, ela sofre preconceitos quanto à forma de liderar justamente por apresentar aspectos e características muito femininas: intuição, percepção aguçada, sensibilidade, capacidade de concentração e de realização de várias atividades ao mesmo tempo. Essas qualidades não são fraquezas. São necessárias e são diferenciadas.
Por que as mulheres adotam comportamentos masculinos no trabalho?
Devido às inúmeras referências masculinas em cargos de gestão e liderança, muitas mulheres, para serem aceitas, conscientemente ou não, reproduziram atitudes mais masculinas no trabalho, desde as vestimentas até a forma de se comportar e de tomar decisões. Atualmente o cenário já se modifica. As mulheres têm conquistado aos poucos mais espaço no mercado de trabalho, e também têm atuado e valorizado mais os aspectos femininos delas: a sensibilidade, a intuição, a percepção aguçada e a visão sistêmica.
Vale lembrar a importância dessas características no ambiente corporativo, tão carente delas. Na verdade, se aprofundarmos um pouco mais, notaremos que o lado feminino, denominado pelo psiquiatra e analista Carl Gustav Jung como “anima”, é o que realmente demanda uma forte presença e desenvolvimento em qualquer ser humano.
Homens e mulheres carregam a anima?
O vetor do feminino está presente no ser humano, não necessariamente e não somente na mulher, o que amplia a perspectiva: tanto o homem quanto a mulher possuem em si o lado masculino e o feminino, e precisam trabalhar a integração e a parceria entre eles para a manifestação da androginia, como característica da angelitude, conforme Benjamin Teixeira de Aguiar, pelo Espírito Eugênia-Aspásia.
Dessa forma, precisamos nos desvestir de preconceitos, rever valores e crenças arraigadas que não servem mais, para então explorarmos todas as nossas potencialidades enquanto seres humanos: o lado pragmático, objetivo e resolutivo, como também o sensível, intuitivo, perceptivo e, por que não, o amoroso. Esse pode ser um excelente caminho para a completude do líder.
O que isso significa para as organizações
Organizações que premiam apenas as dimensões masculinas da liderança — assertividade, controle, velocidade, competição — terão desempenho consistentemente inferior ao das que criam condições para toda a gama de capacidades humanas aparecer. Intuição, empatia, sintonia relacional e percepção sistêmica não são soft skills. São exatamente as capacidades que permitem ao líder ler com precisão sistemas humanos complexos e responder com sabedoria.
A integração da anima não é um luxo de desenvolvimento pessoal. É necessidade estratégica para qualquer líder que queira desenvolver a profundidade de visão que as organizações do século XXI de fato exigem.
A resposta curta
A anima é o vetor do feminino presente em todo ser humano, e é o que mais demanda presença e desenvolvimento num ambiente corporativo profundamente carente dele. Integrá-la significa se desvestir de preconceitos, rever crenças que não servem mais e explorar o lado pragmático e resolutivo ao lado do sensível, intuitivo e perceptivo. Intuição, empatia, sintonia relacional e percepção sistêmica não são soft skills: são as capacidades que permitem ao líder ler sistemas humanos complexos com precisão e responder com sabedoria.