CRISTIANE BARRETO'sBUSINESS & CAREER INSTITUTE
Liderança

Liderança Arquetípica

Cristiane Barreto, PhD

Liderança

Atualizado em

A liderança arquetípica é uma proposta para o líder que almeja aprofundar a compreensão das pessoas a partir de um modelo psíquico junguiano, capaz de revelar os padrões inconscientes que silenciosamente governam o comportamento de indivíduos e organizações.
Em resumo
  • A liderança arquetípica se apoia na psicologia analítica de Carl Gustav Jung, em que os arquétipos são padrões da natureza humana: disposições herdadas, e não invenções, que moldam como as pessoas experimentam a vida e respondem a ela.
  • A liderança arquetípica é a arte de auxiliar a ampliação da consciência de indivíduos e grupos para facilitar o crescimento, explorar potenciais reprimidos e trazer à tona talentos latentes que só a compreensão dos conteúdos psíquicos inconscientes revela.
  • A predisposição arquetípica para desempenhar papéis como mãe, pai, filho, amigo, professor ou aluno não desaparece no trabalho: opera ali de forma invisível, moldando a dinâmica das equipes, as decisões, os conflitos e a criatividade.
  • O líder arquetípico se torna catalisador do nível evolutivo do grupo ao ampliar primeiro a própria consciência, porque nenhum líder conduz os outros a um território em que ele mesmo nunca entrou.

A liderança arquetípica se apoia na psicologia analítica do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. Como o próprio Jung observou, “o conceito de ‘arquétipo’ nada mais é do que uma expressão já existente na Antiguidade, sinônimo de ‘ideia’ no sentido platônico”. O termo deriva do grego e significa “a cunhagem original”. Em psicologia, os arquétipos representam padrões da natureza humana. Eles não são inventados: são disposições herdadas que moldam a forma como experimentamos a vida e respondemos a ela.

A liderança arquetípica, então, pode ser compreendida como a arte de auxiliar a ampliação da consciência do indivíduo e dos grupos para facilitar o crescimento deles, explorar potenciais desconhecidos ou reprimidos e trazer à tona talentos e competências latentes, que somente o olhar e o entendimento dos conteúdos psíquicos inconscientes podem revelar. Como observa o analista Luiz Paulo Grinberg: “Muito mais do que gostaríamos de admitir ou sonhar, pode-se dizer que vivemos arquetipicamente, isto é, somos guiados, queiramos ou não, por arquétipos.”

Como um modelo arquetípico amplia a visão do líder sobre as pessoas?

Esse modelo permite que um líder amplie a visão dele sobre os liderados, os grupos e as organizações, porque contempla a dimensão inconsciente da psique e ajuda a compreender os processos implicados que “governam” as atitudes do indivíduo. É um enfoque que vai além da avaliação de habilidades e da observação de comportamento, para fazer uma pergunta mais profunda: que padrões internos estão operando nesta pessoa, nesta equipe, nesta cultura?

Todos possuímos uma predisposição arquetípica para desempenhar papéis: mãe, pai, filho, filha, irmão, amigo, professor, aluno. Impulsionados por esses arquétipos, fazemos escolhas, criamos e enfrentamos as mais diversas situações com heroísmo ou com medo, com sabedoria ou com confusão. Esses padrões não desaparecem no ambiente de trabalho. Eles operam ali, muitas vezes de forma invisível, moldando a dinâmica das equipes, as decisões, os conflitos e a criatividade.

O líder como catalisador

O líder arquetípico não é simplesmente alguém que desenvolve habilidades nas pessoas. É antes aquele que tem a capacidade de se transformar a partir da própria jornada, sendo empreendedor do caminho dele, indelegável e intransferível. Ao ampliar a própria consciência, esse líder se torna um catalisador do nível evolutivo do grupo.

Mas isso exige que o próprio líder esteja em processo evolucional. Ele precisa ter vivenciado, e seguir vivenciando, um processo de expansão da própria consciência: o que alguns autores chamam de viver a jornada do herói interior. Nenhum líder conduz os outros a um território em que ele mesmo nunca entrou.

Como a liderança arquetípica aparece na prática?

Aplicar a liderança arquetípica significa desenvolver a capacidade de ler pessoas e situações num nível mais profundo: perceber quando um integrante da equipe está desempenhando um papel habitual que o limita, ou quando uma dinâmica de grupo está sendo conduzida por padrões coletivos inconscientes, e não por escolha consciente. Significa criar condições para que esses padrões venham à tona com segurança, de modo que possam ser reconhecidos e integrados.

Esse não é um papel terapêutico. É um papel de liderança, que exige tanto autoconhecimento quanto uma curiosidade genuína pela vida interior das pessoas que se lidera. O líder que abraça essa perspectiva não apenas gerencia desempenho: ajuda as pessoas a se tornarem mais plenamente elas mesmas e, ao fazer isso, libera capacidades organizacionais que nenhuma matriz de competências, sozinha, revela.

A resposta curta

A liderança arquetípica é um enfoque junguiano que contempla a dimensão inconsciente da psique, indo além da avaliação de habilidades e da observação de comportamento para perguntar que padrões internos estão operando numa pessoa, numa equipe ou numa cultura. Na prática, significa perceber quando alguém está desempenhando um papel habitual que o limita, ou quando um grupo é conduzido por padrões coletivos inconscientes em vez de escolha consciente, e criar condições para que esses padrões venham à tona com segurança e sejam integrados. É um papel de liderança, e não terapêutico, e depende de o líder viver o próprio processo de expansão da consciência.

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